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Um conflito de casal pela perspectiva da Comunicação Não-Violenta

Certa vez eu tive um pequeno conflito com o Régis (foi pequeno porque eu tive a sagacidade de perceber o nó antes que a tensão aumentasse).

Nós planejávamos ir visitar os pais dele em Maringá, e como é uma cidade relativamente perto de foz do Iguaçu, estender a viagem até lá.


Porém, havia uma limitação em relação ao tempo que teríamos disponível para fazer tudo e como é uma viagem longa e com custos um tanto altos, não compensaria ir a Maringá e depois à Foz do Iguaçu em outro momento, o ideal no nosso caso é fazer as duas viagens juntas.

Aí estávamos em um impasse: ou ficamos pouco tempo em Maringá e menos tempo em Foz do Iguaçu, ou ficamos menos tempo em Foz do Iguaçu para poder passar mais tempo com os pais dele. Mas era uma alternativa que também não era o ideal.


Aí eu propus: e se os seus pais viessem para São Paulo agora, fazemos uma viagem por perto mesmo e nos próximos meses planejamos uma viagem mais longa para Maringá e Foz do Iguaçu?

Aí ele começou a discutir comigo porque eu só estava pensando na viagem, que eu não queria encontrar os pais dele, e que tudo bem, afinal, não eram meus pais, não tinha tanta importância para mim mesmo, e bla, bla, bla...


Eu definitivamente não entendia qual era a conexão entre não querer estar com os pais dele, se o que eu estava propondo era exatamente abrir mão da viagem para passar mais tempo com os pais dele!

Parecia que não falávamos a mesma língua, eu repetia minha proposta e ele repetia as reclamações.


Se eu tivesse respondido me defendendo ao invés de chegar o entendimento, seria algo mais ou menos assim “diria que ele que era egoísta, que não valorizava nada do que eu propunha, estava sempre insatisfeito, ou algo do tipo...e a partir de então, entraríamos em um conflito com um grau de tensão bem destrutivo.


Felizmente, esse foi o momento em que eu percebi a falha na comunicação e disse: o que estou propondo é bem diferente do que você está afirmando, o que você entendeu da minha ideia?

Aí ele me disse: você propôs da gente ir a foz do Iguaçu e não encontrar meus pais e depois combinar para que eles venham para são Paulo em outro momento!


Veja só que absurdo a quantidade de confusões que é possível acontecer em um diálogo!

Detalhe: quanto mais carga emocional tem o assunto, mais chances desses desentendimentos acontecerem (neste caso, encontrar os pais distantes, tempo, dinheiros, expectativas com a viagem, etc). Não é um “defeito” específico ou “inabilidade”, é uma pedra em que todos tropeçamos se não conhecermos essas dinâmicas que bloqueiam o diálogo.


Então tive a oportunidade de esclarecer minha proposta, e no fim, ele também acabou constatando que naquele momento, o melhor seria mesmo os pais dele virem nos visitar.

Neste conflito, checar o que o outro estava de fato ouvindo foi a peça crucial para que nos entendêssemos.

Você tem o hábito de checar se o outro compreendeu de verdade o que você comunicou?


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