top of page

Uma forma sutil e perigosa de controlar o comportamento dos outros

Certa vez, eu estava em um dos cursos de Comunicação Não-Violenta do Dominic Barter e ele falava sobre nomear verdades que não podem ser ditas, que em geral, estão relacionadas a alguma coisa que a outra pessoa faz e que nos irrita, prejudica ou incomoda.


E como temos receio de falar, nos calamos, mas fazer isso não resolve a situação e a relação aos poucos vai se tornando um “acordo para sofrer junto”.


Mas aí eu o questionei, se eu falo para uma pessoa que eu quero que ela aja de outro jeito, de certa forma, a estou rejeitando e buscando controlar o comportamento dela, o que pode ser recebido como violento e leva-la a resistir ao que eu peço, como forma de afirmar sua autoaceitação e autonomia.


Aí ele me respondeu: “quando você não fala o que te incomoda, você também está tentando controlar o comportamento do outro” (prevendo de antemão e tentando evitar se a pessoa vai ficar brava, triste ou se afastar). Eu fiquei refletindo por meses!!!


Frequentemente, entre falar e não falar, acabamos optando pela segunda opção, pois ela nos dá uma falsa sensação de poder e segurança, porém, privatizamos a decisão sobre os rumos da relação, excluindo o outro de se responsabilizar por sua parte, o que a longo prazo que acaba sendo mais destrutivo.


E como posso ter certeza que a outra pessoa vai reagir mal ao que tenho para falar? Será que é neste ponto que estou com uma ideia distorcida e cristalizada do outro, intensificando ainda mais o conflito?


As relações se fundam na tensão, no encontro dos limites, quando descubro que o outro não é uma extensão ou espelho de mim. Sob esse ponto de vista, e com o devido direcionamento para conversas construtivas, podemos considerar a ressignificação do conflito como uma oportunidade de aprender com os erros, fortalecer vínculos e nos conhecermos com mais profundidade.

Então passaremos de um “acordo para sofrer juntos” para “o encontro de soluções melhores para viver junto”.


Marina De Martino

Facilitadora de grupos de Comunicação Não-Violenta e Justiça Restaurativa

Atendimentos individuais, casais, famílias, empresas, ongs, escolas



3 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Carta de um pai arrependido a uma filha

Minha filha, somente hoje, depois de muitos anos, eu reconheço eu errei com você. Quando você era adolescente, eu te falei palavras grotescas, vulgares, que jamais um pai deveria falar para uma filha.

Comments


bottom of page